quinta-feira, 19 de julho de 2012


Oratória  


   O simples ato de falar, expor os pensamentos que muitas vezes são condenados ao esquecimento por ora cruel é decepcionante, e ora vigorante e envolvente amor. A vontade de expor o que sentimos, e pensamos, desde uma necessidade que parte de um ser individual, e que pode até se estender à necessidade de um grupo ou seguimento da sociedade. 
   Durante toda a triste história da humanidade homens e mulheres, livres ou escravos, humanos ou robotizados  se sentiram impelidos a falar, e expor os mais produtivos e sórdidos pensamentos. Ideais que ultrapassam o limite da razão e que caem como rocha sobre a criança indefesa na beira de um desfiladeiro, ideais que servem como cura a uma  geração doentia e inescrupulosa.  Todavia o homem é falho e por vezes se encontra extremamente influenciável, onde cada palavra de ânimo, ou ódio serve como carvão a uma velha locomotiva enferrujada. Cada motivação vigora os pensamentos acovardados pela dura vida.
   Podemos citar o exemplo de Adolf Hitler, que de uma forma gloriosa e cruel conduziu toda uma nação a histeria coletiva. Doutrinou toda uma nação, trasformou homens comuns em rôbos programados a destruição. Homens e mulheres, velhos e criaças moldaram a nação alemã, e maculou toda a sua história, que será conhecida como vergonhosa até o momento em que houver papel para contar acontecimentos cruéis da nação alemã.
   Não podemos nos esquecer jamais que como toda ciência, existem dois lados. Jesus, o maior homem que a humanidade já construiu,  simples, nascido na galiléia, e colocado em uma manjedoura para repousar após o parto. Soube usar as palavras para transformar o mundo, e chegou a tal ponto de adubar a semente por ele plantada com o seu próprio sangue. E as árvores produziram frutos que se espalharam por todos os pontos cardeais, e espalhou a mensagem mais sublime já proclamada nessa terra de homens pecadores, o amor.
   De uma forma complexa, e ao mesmo tempo suscinta as palavras que podem ser sussurradas, ou bradadas com amor e coragem visando transformar a humanidade, seja de qual forma for, transformam o universo. 
  Que a palavra sirva eternamente no seu propósito original, transformar e moldar a humanidade. Que ela sirva de ânimo aos homens, que vivem em busca de um ideal, e que pode ser encontrado nas palavras que estão voando no céu como belos pássaros.

Seminarista Cappucci

sábado, 14 de julho de 2012


Sobrevivendo


Rodeando os prazeres mais carnais,
Satisfazendo os paladares mais exigentes.
Como o olfato penetrando nas rosas,
Completando o ciclo celestial.

Tudo manifestando os espinhos,
Perfurando a pele mais macia,
Da mais linda mulher,
Nos braços de quem ama.

Nos sonhos mais ousados,
Do poeta mais frustrado.
Consumando os desejos,
De quem excedeu  o comum.

Do paladar mais exigente,
Do coração mais necessitado,
Do amor mais ousado,
Do que completa o coração.

Concentrando os mais belos sentimentos,
Destruindo os mais tristes pensamentos.
Excluindo a vontade de ignorar,
O que a mente e o corpo imploram.

Sobrevivendo ao inconstante,
Dominando a vontade de esquecer.
Todo o belo passado,
De quem um dia sonhou reviver.

Seminarista Cappucci

sexta-feira, 13 de julho de 2012


O animal



Andando sobre as letras do tempo,
Caí nas utopias da mente.
Conservadoras aos ousados,
Ousadas aos conservadores.

Invertendo o papel do que existiu,
Do que um dia serviu para algo.
Observando a metamorfose humana,
De homens a  complexos macacos.

Regredindo aos ancestrais,
Em conceito e inteligência.
Por cima da ciência pautada,
Em simples gestos de covardia.

Persistindo no erro cicatrizado,
Coagulado nos sudários do tempo.
Das mais belas mortalhas,
Exibidas nas mais estranhas passarelas.

Amarrado pelo medo de arriscar,
Livre pela coragem de não mudar.
Vivendo sem mapas,
Usando a bússola do conformismo.

Soldaram as jaulas,
E prenderam o feroz animal.
Mais conhecido como: homem,
Aquele que tem medo.

Seminarista Cappucci

Inverno


Nos gélidos ventos do inverno,
Rebatendo no cinzento concreto.
Oriundos do sóbrio céu,
Esfriando  os sentimentos mais quentes.

Esvaziou os coloridos parques,
Estão utilizando os mais belos casulos.
Aumentando o prazer temporal,
Do delicioso chocolate quente.

Convidando a amar enquanto dure,
Sonhar e partilhar o presente...
Risadas e suspiros vaporizados,
No envolvente e doce frio .

Observando a estranha estação,
Que certamente proverá,
E transformará os corações
Derretidos no indesejável estio.

Outrora vigorou sobre as planícies,
Hoje se contenta com poucos meses.
Abrindo espaço aos gostos alheios,
Confortando sentimentos opostos.

Que seja proveitoso enquanto existir,
Logo passará, dando lugar aos inversos.
Simples e desafiante como o tempo,
Que cedeu lugar a ousada vida.


Seminarista Cappucci




Martírio


Ao martírio caminhei,
Sou filho da Cruz.
Caminheiro do Reino, 
Almejando a Luz.

Cavaleiro errante,
Procamador da palavra,
Esta cantarolada,
Com a garganta na espada.

Fui queimado...
Esquartejado...
Não reclamei, apenas esperei,
Pelo Cristo, O Rei!

Da glória eterna,
Sou mensageiro.
Me humilhei,
E ganhei a glória.

Pelo abismo das trevas caminhei,
Nada comigo...
Somente Deus,
Meu melhor amigo!

Entre homens e demônios, 
A água purifica.
Anunciada como salvação,
Da alma caída.

Sedento por Ele,
Vivo a caminhar.
Anunciando para sempre,
O reino vou estar!

*Ao ler alguns livros que descrevem o martírio de alguns cristãos me coloquei, mesmo que por alguns minutos no lugar deles. E imaginei como deve ter sido os sentimentos que os moviam, e em seguida tentei transmitir o que senti nas brancas folhas de meu caderno.

Francisco e a Eucaristia 
   

   Francisco mantinha uma enorme devoção pelo Corpo de Cristo presente na hóstia, oferecida em sacrifício no altar que segundo ela moldou sua vida.
   Há diversos relatos nas fontes franciscanas, onde descrevem atitudes e ensinamentos do Santo para com a Eucaristia, e todo o mistério que a cerca.
   Ele não usava as mais sábias palavras ao se referir ao Santíssimo Sacramento, já que enquanto homem simples, do povo não era detentor da linguagem correta no que se diz respeito ao mistério. Mas a sua devoção e o modo com que se referia ao corpo do Cristo, presente na humilde aparência do pão já eram suficientes para se compreender.
Ressaltou diversas vezes a Eucaristia enquanto obra de salvação, vivenciando através de sua contemplação os momentos mais “importantes” de Cristo na Terra: Encarnação, Última Ceia e Cruz. E frequentemente fazia alusão, e pedia a reverencia mais sincera e o maior cuidado ao se receber o Corpo de Cristo. Aos frades de sua Ordem recomendou, e pediu diversas vezes as maiores reverencias ao Corpo de Cristo, e que e também cultivassem o cuidado ao se celebrar o mistério, em relação às heresias e exageros tão comuns em sua época, tanto que recomendou que os sacerdotes celebrassem apenas uma missa por dia nas fraternidades.
   Diversas vezes falou sobre a comunhão, e a necessidade do ser humano para com a ela. Através da comunhão o cristão passa a fazer parte do sacrifício pascal.
   O santo mantinha tamanho reverencia pela eu Eucaristia que com todas as suas forças e durante toda a sua vida procurou exaltá-la. Amava de tal modo a Eucaristia, e toda a celebração que a envolver, tanto leituras como gestos que buscou refletir em sua vida e conversão no trecho do Evangelho que relata: não leve ouro, nem prata, nem dinheiro no cinto, nem sacolas para o caminho, nem duas túnicas. E em seguida Francisco disse as palavras que mudariam o mundo para sempre: é isso que eu desejo ardentemente, é a isso que aspiro com todas as veras da alma. 
   Que Francisco nos inspire, e nos ensine através de seu exemplo a verdadeira e sempiterna devoção pelo Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seminarista Cappucci

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Ousado descanso



Estranhos momentos partiram,
Para a estante das lembranças.
Se encontraram com o que passou,
E a vida derrepente sufocou.

Mais fácil ignorar o que passou,
Se concentrar nas possíveis aventuras,
De mudar e arriscar...
Do que lembrar do duro passado.

Mas sem este que o tempo empoeirou,
Nada seriámos além de sonhos.
Da terra um dia brotamos,
E para o passado um dia retornaremos.

Que a história se lembre de quem respirou,
Que o mundo se lembre de quem viveu,
Que o futuro se lembre das raízes,
E escreva nas rochas o que passou.

Lar aconchegante aos habitantes,
Desse lar chamado vida.
Que descansará eternamente,
Na cama intitulada - húmus.


Seminarista Cappucci