quinta-feira, 19 de julho de 2012


Oratória  


   O simples ato de falar, expor os pensamentos que muitas vezes são condenados ao esquecimento por ora cruel é decepcionante, e ora vigorante e envolvente amor. A vontade de expor o que sentimos, e pensamos, desde uma necessidade que parte de um ser individual, e que pode até se estender à necessidade de um grupo ou seguimento da sociedade. 
   Durante toda a triste história da humanidade homens e mulheres, livres ou escravos, humanos ou robotizados  se sentiram impelidos a falar, e expor os mais produtivos e sórdidos pensamentos. Ideais que ultrapassam o limite da razão e que caem como rocha sobre a criança indefesa na beira de um desfiladeiro, ideais que servem como cura a uma  geração doentia e inescrupulosa.  Todavia o homem é falho e por vezes se encontra extremamente influenciável, onde cada palavra de ânimo, ou ódio serve como carvão a uma velha locomotiva enferrujada. Cada motivação vigora os pensamentos acovardados pela dura vida.
   Podemos citar o exemplo de Adolf Hitler, que de uma forma gloriosa e cruel conduziu toda uma nação a histeria coletiva. Doutrinou toda uma nação, trasformou homens comuns em rôbos programados a destruição. Homens e mulheres, velhos e criaças moldaram a nação alemã, e maculou toda a sua história, que será conhecida como vergonhosa até o momento em que houver papel para contar acontecimentos cruéis da nação alemã.
   Não podemos nos esquecer jamais que como toda ciência, existem dois lados. Jesus, o maior homem que a humanidade já construiu,  simples, nascido na galiléia, e colocado em uma manjedoura para repousar após o parto. Soube usar as palavras para transformar o mundo, e chegou a tal ponto de adubar a semente por ele plantada com o seu próprio sangue. E as árvores produziram frutos que se espalharam por todos os pontos cardeais, e espalhou a mensagem mais sublime já proclamada nessa terra de homens pecadores, o amor.
   De uma forma complexa, e ao mesmo tempo suscinta as palavras que podem ser sussurradas, ou bradadas com amor e coragem visando transformar a humanidade, seja de qual forma for, transformam o universo. 
  Que a palavra sirva eternamente no seu propósito original, transformar e moldar a humanidade. Que ela sirva de ânimo aos homens, que vivem em busca de um ideal, e que pode ser encontrado nas palavras que estão voando no céu como belos pássaros.

Seminarista Cappucci

sábado, 14 de julho de 2012


Sobrevivendo


Rodeando os prazeres mais carnais,
Satisfazendo os paladares mais exigentes.
Como o olfato penetrando nas rosas,
Completando o ciclo celestial.

Tudo manifestando os espinhos,
Perfurando a pele mais macia,
Da mais linda mulher,
Nos braços de quem ama.

Nos sonhos mais ousados,
Do poeta mais frustrado.
Consumando os desejos,
De quem excedeu  o comum.

Do paladar mais exigente,
Do coração mais necessitado,
Do amor mais ousado,
Do que completa o coração.

Concentrando os mais belos sentimentos,
Destruindo os mais tristes pensamentos.
Excluindo a vontade de ignorar,
O que a mente e o corpo imploram.

Sobrevivendo ao inconstante,
Dominando a vontade de esquecer.
Todo o belo passado,
De quem um dia sonhou reviver.

Seminarista Cappucci

sexta-feira, 13 de julho de 2012


O animal



Andando sobre as letras do tempo,
Caí nas utopias da mente.
Conservadoras aos ousados,
Ousadas aos conservadores.

Invertendo o papel do que existiu,
Do que um dia serviu para algo.
Observando a metamorfose humana,
De homens a  complexos macacos.

Regredindo aos ancestrais,
Em conceito e inteligência.
Por cima da ciência pautada,
Em simples gestos de covardia.

Persistindo no erro cicatrizado,
Coagulado nos sudários do tempo.
Das mais belas mortalhas,
Exibidas nas mais estranhas passarelas.

Amarrado pelo medo de arriscar,
Livre pela coragem de não mudar.
Vivendo sem mapas,
Usando a bússola do conformismo.

Soldaram as jaulas,
E prenderam o feroz animal.
Mais conhecido como: homem,
Aquele que tem medo.

Seminarista Cappucci

Inverno


Nos gélidos ventos do inverno,
Rebatendo no cinzento concreto.
Oriundos do sóbrio céu,
Esfriando  os sentimentos mais quentes.

Esvaziou os coloridos parques,
Estão utilizando os mais belos casulos.
Aumentando o prazer temporal,
Do delicioso chocolate quente.

Convidando a amar enquanto dure,
Sonhar e partilhar o presente...
Risadas e suspiros vaporizados,
No envolvente e doce frio .

Observando a estranha estação,
Que certamente proverá,
E transformará os corações
Derretidos no indesejável estio.

Outrora vigorou sobre as planícies,
Hoje se contenta com poucos meses.
Abrindo espaço aos gostos alheios,
Confortando sentimentos opostos.

Que seja proveitoso enquanto existir,
Logo passará, dando lugar aos inversos.
Simples e desafiante como o tempo,
Que cedeu lugar a ousada vida.


Seminarista Cappucci




Martírio


Ao martírio caminhei,
Sou filho da Cruz.
Caminheiro do Reino, 
Almejando a Luz.

Cavaleiro errante,
Procamador da palavra,
Esta cantarolada,
Com a garganta na espada.

Fui queimado...
Esquartejado...
Não reclamei, apenas esperei,
Pelo Cristo, O Rei!

Da glória eterna,
Sou mensageiro.
Me humilhei,
E ganhei a glória.

Pelo abismo das trevas caminhei,
Nada comigo...
Somente Deus,
Meu melhor amigo!

Entre homens e demônios, 
A água purifica.
Anunciada como salvação,
Da alma caída.

Sedento por Ele,
Vivo a caminhar.
Anunciando para sempre,
O reino vou estar!

*Ao ler alguns livros que descrevem o martírio de alguns cristãos me coloquei, mesmo que por alguns minutos no lugar deles. E imaginei como deve ter sido os sentimentos que os moviam, e em seguida tentei transmitir o que senti nas brancas folhas de meu caderno.

Francisco e a Eucaristia 
   

   Francisco mantinha uma enorme devoção pelo Corpo de Cristo presente na hóstia, oferecida em sacrifício no altar que segundo ela moldou sua vida.
   Há diversos relatos nas fontes franciscanas, onde descrevem atitudes e ensinamentos do Santo para com a Eucaristia, e todo o mistério que a cerca.
   Ele não usava as mais sábias palavras ao se referir ao Santíssimo Sacramento, já que enquanto homem simples, do povo não era detentor da linguagem correta no que se diz respeito ao mistério. Mas a sua devoção e o modo com que se referia ao corpo do Cristo, presente na humilde aparência do pão já eram suficientes para se compreender.
Ressaltou diversas vezes a Eucaristia enquanto obra de salvação, vivenciando através de sua contemplação os momentos mais “importantes” de Cristo na Terra: Encarnação, Última Ceia e Cruz. E frequentemente fazia alusão, e pedia a reverencia mais sincera e o maior cuidado ao se receber o Corpo de Cristo. Aos frades de sua Ordem recomendou, e pediu diversas vezes as maiores reverencias ao Corpo de Cristo, e que e também cultivassem o cuidado ao se celebrar o mistério, em relação às heresias e exageros tão comuns em sua época, tanto que recomendou que os sacerdotes celebrassem apenas uma missa por dia nas fraternidades.
   Diversas vezes falou sobre a comunhão, e a necessidade do ser humano para com a ela. Através da comunhão o cristão passa a fazer parte do sacrifício pascal.
   O santo mantinha tamanho reverencia pela eu Eucaristia que com todas as suas forças e durante toda a sua vida procurou exaltá-la. Amava de tal modo a Eucaristia, e toda a celebração que a envolver, tanto leituras como gestos que buscou refletir em sua vida e conversão no trecho do Evangelho que relata: não leve ouro, nem prata, nem dinheiro no cinto, nem sacolas para o caminho, nem duas túnicas. E em seguida Francisco disse as palavras que mudariam o mundo para sempre: é isso que eu desejo ardentemente, é a isso que aspiro com todas as veras da alma. 
   Que Francisco nos inspire, e nos ensine através de seu exemplo a verdadeira e sempiterna devoção pelo Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seminarista Cappucci

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Ousado descanso



Estranhos momentos partiram,
Para a estante das lembranças.
Se encontraram com o que passou,
E a vida derrepente sufocou.

Mais fácil ignorar o que passou,
Se concentrar nas possíveis aventuras,
De mudar e arriscar...
Do que lembrar do duro passado.

Mas sem este que o tempo empoeirou,
Nada seriámos além de sonhos.
Da terra um dia brotamos,
E para o passado um dia retornaremos.

Que a história se lembre de quem respirou,
Que o mundo se lembre de quem viveu,
Que o futuro se lembre das raízes,
E escreva nas rochas o que passou.

Lar aconchegante aos habitantes,
Desse lar chamado vida.
Que descansará eternamente,
Na cama intitulada - húmus.


Seminarista Cappucci

quarta-feira, 11 de julho de 2012


Esperança

Estranho, estranho...
Porém real.
Como a morte – vida,
Se consagrando ao vento.

Vivendo sem pensar,
Nem ao menos hesitar,
Observando tudo passar,
Voando pelo ar.

Consumindo a esperança,
Pelos sonhos já vividos.
Nos pensamentos longínquos,
Desconhecidos do meu mapa.

Uma dádiva seria,
Se ao menos...
Todos sonhassem,
Em encontrar o doce e eterno saber.

Seminarista Cappucci

Consumido



Ousado como o tardio passado,
Onde simples homens fizeram história.
Buscando a compreensão,
Do tão desconhecido amor.

Estranho aos olhos alheios,
Sem futuro para quem palpita,
Mas tudo pode ser explicado,
Observando o tempo passar.

Como a fumaça do cigarro,
Se espalhando pelo ar.
Sumindo ante a face do homem,
Onde tudo pode se transformar.

Escrito nas duras pedras,
Contado nas areias da ampulheta,
Observado nos mais tristes pesadelos,
Consumado no coração sonhador.

Real – imaginário.
Depende de quem vive,
De quem faz,
Da coragem de viver.

Seminarista Cappucci

Na então Tchecoslováquia...

 
  Em um seminário, na então Tchecoslováquia, costumava ocorrer diversos fatos estranhos. Havia assombrações, como frei Crispowisk, que alguns anos antes havia falecido, e frei Jeron que assombrava a gigantesca biblioteca. Muitos viviam com medo, tudo era assustador. Dom Renaton o então guardião conduzia os 230 seminaristas com braço de ferro, e obrigava todos a trabalharem algumas centenas de horas.
   Os dias passavam como segundos, logo fortes laços de amizades eram formados. Todos eram irmãos, ou melhor, quase todos. Lá havia certas pessoas que corrompiam a fraternidade, como homens  “ciumentos” e ladrões,  todos inocentes aos olhos dos superiores. Alguns chegavam, outros partiam, porém muitos ficavam... Até quando só Deus sabe.
   Havia uma peculiaridade, um patrimônio do seminário,Dr. Paracetamolvisck que há trinta anos prestava serviços aos seminaristas. Desde o principio ele se interessou pela medicina, psicologia e filosofia. Estudou na Universidade de Xaxinvisck, onde se especializou em veneno de escorpião, produto que consumia desde os 3 meses de idade, e que por sinal lhe fazia muito bem, já que estava com quase 70 anos e aparentava ter apenas 13.
   Muitos conflitos ocorriam naquele lugar, e Dr. Paracetamolvisck era sempre o mediador. Tijolos voando, que resolveram imitar seminaristas que possuíam essa capacidade, olhos roxos e dedos apodrecidos, bem nem tanto, mas o iodol sempre resolvia. Ainda desconfiam que havia veneno de escorpião naquele iodo, que fazia membros crescerem novamente, e “bebês” ressuscitarem.
   Dr. Paracetamolvisck curava tudo, e todos, mas esqueceu dele mesmo. Os seminaristas mais próximos sempre procuravam ajudá-lo, porém sem êxito. Foi adoecendo, adoecendo e foi quando ele de repente parou para poder analisar o que estava acontecendo. Os escorpiões já não podiam ajudá-lo, o problema destruía o seu interior, pouco a pouco ele foi perdendo as esperanças de concretizar seus sonhos, uma vida plenamente realizada.
   E em um ápice de coragem ele entregou tudo e todos, mostrou sua hombridade e caráter. Assumiu seu papel de amigo, irmão e homem e partiu, partiu para quem sabe jamais voltar.
   Voltou para Xaxinvisck, voltou para junto se sua família, mas deixou irmãos, sem ligações carnais, mas o elo no espírito a muito já havia se formado. Para sempre o Dr. Paracetamolvisck vai ficar na memória de seus amigos, ou melhor, irmãos, estes que sempre se lembrarão do doce passado junto de quem partiu.

Seminarista Cappucci


* Nota explicativa
      Dr. Paracetamolvisck é um personagem fictício, criado após o egresso de um grande amigo do seminário. As analogias usadas podem parecer estranhas aos olhos alheios, porém são altamente significativas para quem conviveu com ele. 

terça-feira, 10 de julho de 2012


Simples assim


Simples como o clássico,
Intrigante como o novo,
A vida propõe...
Mudanças insinuantes.

Do velho para o novo,
Como nadar, respirar,
De uma margem para a outra,
Ou então esperar- tempo.

Eterno amigo das areias,
Da doce música,
Da dura pena,
Quem sabe do amor.

Vivendo a metamorfose,
Pelas escolhas,
Vivendo aventuras.
Arriscando respirar, pensar .


Seminarista Cappucci

segunda-feira, 9 de julho de 2012


Sonhos



Quando sonhei em viver, esperei
Quando esperei o tempo,  passou
Quando tudo passou, olhei
Quando olhei, apenas imaginei.

Nas ruas a boêmia espalhou,
Os sonhos mais íntimos do poeta.
Antes viver, que sonhar,
A realidade de quem nasceu.

Todos filhos da realidade,
Que cada qual criou,
Conforme o meio .
Este que transformou o homem!

De primata, a sonhador,
Na brisa dos pensamentos.
Senti o coração,
Feito da dura pedra.

Homem moderno,
Que por perto,
Se perdeu nos mapas,
Da humanidade.

Simples e constante,
Tal como é.
Simplesmente vida,
Ou então, sonho.

Seminarista Cappucci
  


São Paulo


 Cidade maravilhosa, não a da música, mas verdadeiro paraíso para os paulistanos. Encantadora aos olhos dos turistas, poluída e perigosa aos brasileiros, recanto materno aos filhos dessa terra terra mágica chamada: São Paulo.  O asfalto, o concreto e a fumaça completam e dão um certo toque especial, e intrigante. Terra paulista, brasileira, pátria dos imigrantes e refúgio dos boêmios. Escritores, médicos, doutores e poetas aqui floresceram. Terra velha, que ainda floresce para o novo mundo.
  Fundada em 1554 por missionários jesuítas, dedicada ao apóstolo São Paulo foi consagrada a Deus, e construída para o mundo. Tão cedo já foi lar de imigrantes, e por eles foi moldada. Italianos, alemães, japoneses - cidadãos do mundo e pedestres desse asfalto sagrado. Aqui muitos viveram, morreram e principalmente sonharam. Sonho da liberdade asiática, um bairro edificou; italianos chegaram, um bairro tomaram e o certamente a história modificou; o comércio recebeu a lábia do mundo árabe, que de forma inteligente o paulistano copiou. 
   Caminha hoje em metamorfose, advogados ao lado de frades, mendigo ao lado de empresários. Barões do café cederam o lugar aos majestosos prédios, crianças brincando cederam o lugar a jovens drogados. As damas que antes caminhavam, hoje poluem o mundo em seus belos carros.


 "Caminhemos para o progresso, mesmo que seja utópico, afinal ideais que nos movem."

Uma das melhores universidades da América Latina aqui floresceu, é fácil notar como o saber aqui é cultivado, mas acima de tudo o descaso. Terra da garoa, que antes escorria pelas belas vias, como o orvalho sobre a rosa hoje se transformou em enxurradas que passam pelo asfalto poluído. Sonhos , são destruídos pela dura selva de pedra, e esperanças são construídos pelos choros infantis nas maternidades. Esperamos uma mudança, quem sabe voltar para a época onde homens e mulheres nadavam no belo Tietê, 
   Caminhemos para o progresso, mesmo que seja utópico, afinal ideais que nos movem. São Paulo, terra amada, e odiada. Terra de paulistanos, abrigo dos estrangeiros, jóia do brasil. Não importa onde eu for, te levarei para sempre no meu coração. Te amo São Paulo !
  

2012

  
 

   A cada momento que passa, cada notícia, cada comentário sobre o fim do mundo eu dou início a uma série de questionamentos sobre essa tão presente histeria coletiva. Será ela uma manifestação de algo maior que hoje está sendo mascarado pelas profecias apocalípticas ? Ou o mundo realmente está sendo influenciados pelas superproduções de Hollywood ? Seja o que for nos últimos anos algo que sempre esteve presente no imaginário humano, e modelado de acordo com as necessidades contemporâneas está tomando proporções gigantescas. Ondas de suicídios em massa, métodos de como sobreviver ao apocalipse, ou até, como evitá-lo estão se disseminando nos becos sombrios da consciência, que por muitas vezes se encontra conturbada com as novas mudanças.
   Crentes e descrentes, estudiosos e ignorantes estão cada vez mais se sentindo detentores da verdade, essa outrora profetizada por supercivilizações, mas que ruíram e estão sepultadas sobre os seus planos, sonhos, deuses e profecias majestosas. Se fosse por esses, que se autodenominam estudiosos das profecias, nosso planeta já teria acabado algumas centenas de vezes, e a raça humana só seria conhecida nos livros de história dos alienígenas. Vejo por todos os lados extremos surgindo, os descrentes, e os "profetas". Famílias hoje são destruídas pelo sonho da destruição. Sonhos são destruídos, e substituídos pela suposta sobrevivência.
   

"Confie e espere, se desespere e se perca."

Certa vez ao assistir uma palestra me deparei com uma frase que certamente mudou a minha visão: "Se realmente estamos perto do fim do mundo eu irei esperar, afinal nada posso fazer. Se for apenas uma mentira continuarei a viver a minha vida, afinal tantas já passaram por meus ouvidos. Na certeza de que poucos entenderam eu construí grande parte de minha opinião sobre o assunto através dessa frase, o resto foi obra de uma mera lógica. Acredito que seja mais fácil morrer em um acidente de carro, ou assalto do que pelo fim do mundo, acredito na paz e não na histeria. Penso que sou humano, e vivo tal como minha natureza manda, animal, porém racional. Sou cristão, se acabar estarei feliz, se não passar de uma mentira ficarei feliz, afinal poderemos fazer a nossa  parte em construir um mundo de amor aqui e agora. Só depende da histeria, ou, da lucidez. Escolha o lado.
   Confie e espere, se desespere e se perca. O mundo tem bilhões de anos, não é por uma civilização que dela hoje só existe as ruínas é que vai terminar, não é por sonhos e profecias, o mundo é construído por realidades concretas. É real viver, é real morrer, é loucura se desesperar. Se achar melhor, espere o mundo terminar sentado no sofá, ou no abrigo que pode ter construído, mas quando se cansar saia e veja o mundo se transformando através das obras de quem acredita na vida, e não na destruição. Só depende da histeria, ou da lucidez. Escolha o lado, ou espere os anos, eles sim são certos, e virão.

Seminarista Cappucci

sábado, 7 de julho de 2012


Passado

Povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la

Como diz o velho chavão : "Povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la"

  Muitas vezes escutei essa frase nos comerciais do "The History Channel", canal que por muitas tardes foi o meu entretenimento, e confesso que somente após algumas vezes parei para analisar o verdadeiro significado, e que me dar conta de que realmente se trata de uma verdade que poderia ajudar o povo brasileiro a recordar a sua recente e cruel história. 
  Não irei citar fatos, já que existem tantos que certamente iriam mascarar o verdadeiro motivo dessa postagem, refletir sobre o que não é dito nos colégios.
  Atualmente os livros didáticos pouco nos revelam sobre o Brasil, e até quem sabe a história de um povo que se auto intitula: "Humano". Os professores se encarregam de dar a primeira iniciação a um processo que certamente terá continuidade, alienação, ou melhor ensinar a andar como o gado. Os chefes aproveitam o que foi ensinado nas escolas, e a família fica abandonada, afinal só o progresso importa. Certamente o governo se sente bem com a ignorância, e é ainda melhor quando ela atinge tudo e todos, afinal assim não haverá questionamento. Somos verdadeiros bonecos, marionetes nas mãos gananciosas do governo, e objeto nas mãos do mundo.
 Durante épocas da história brasileira, homens e mulheres, maculados pelo ideal de mudar a dura e cruel realidade, de trazer à nação democrática a liberdade, de ser e viver tal como a nossa personalidade e consciência manda morreram nos idealizados e esquecidos sonhos, e projetos. Indígenas e criollos, soldados e pais de família viveram e morreram por essa nação. Triste pensar que um dia sonhos foram destruídos pela sobriedade de quem odeia arriscar, de quem não ousa amar. Triste pensar que o nosso futuro está à deriva dos cruéis robôs brasileiros, e que humanos se tornaram escravos do conceito de que "pior do que está não fica".
  Que um dia arrisquemos sonhar, que um dia arrisquemos estudar, que um dia os livros sejam simples, com conteúdo real, que um dia professores sejam humanos - utopia. Espero que tudo isso seja apenas um pesadelo, e que irei acordar no país dos homens pensantes, ou melhor, atuantes. Espero que a história que hoje vivemos jamais se repita, que as chagas fechem e as cicatrizes nos sirvam de mapa para o progresso.

Seminarista Cappucci

Dúvida



"Triste pensar que a certeza assola o conhecimento, e desconhece a burrice."

  A dúvida do correto, do incerto e que nos motiva a pensar, e agir sem exitar. Agir para o progresso, para não ser o mesmo, transformar a metamorfose global em um anto do saber. A dúvida motiva, incita o saber, mas não basta tê-la, sem ao menos cultivá-la. Cultivar a história e estórias, cultivar o passado, revertê-lo para o futuro, e concretizá-lo no presente. Nos sonhos incertos do jovem universitário, nas teorias ousadas do professor, nas doces lembranças que quem muito já viveu. Sem ela pouco faríamos, sem ela pouco seríamos. Presos na certeza, mascarada pela ignorância, na ilusão de que conhecemos, o que não sabemos que existe.
  As traças hoje estudam, e fazem doutorado em destruir o saber, já que dos livros só aproveitamos a beleza. As redes sociais, status, e poder criam o que se precisa saber - nada. Triste pensar que a certeza assola o conhecimento, e desconhece a burrice. Talvez o futuro, incerto para algumas mentes pensantes, e inexistente para as que estão apavoradas, não signifique nada ao mundo doente. A hipocrisia, falácias e títulos permeiam o universo sonhador, e o destrói . Já vimos o fim dos que se sentiram donos do mundo e de tudo, ou quem sabe somente da ignorância.
  O equívoco culminou com o fim da glória dos povos da Mesoamérica, a ilusão de que sabiam, e que o mundo dominavam os afogou no próprio ego. A prepotência dos romanos trouxe as ruínas das cidades destruídas para dentro dos portões majestosos de Roma, talvez eles sim fossem bárbaros. Já vimos essa história, a dúvida abandonou as mentes pensamentes e grandes nações e a decadência chegou, esticou a rede e esperou a falha para mostrar a sua face de dor e sofrimento. A certeza ao se dizer " eu te amo" termina  quando se descobre que existe alguém mais "interessante". A certeza ao se encontrar meios seguros de se ir ao espaço termina quando homens morrem em acidentes que jamais poderiam acontecer.
  Pois é, chegamos a um estágio que a dúvida é inexistente, e que a certeza nos destrói. Destrói vidas, destrói mentes, e quem sabe pode destruir ao futuro. A dúvida constrói, e traz o progresso. Mais vale uma dúvida produtiva, que uma certeza assassina.  Mais vale sonhar com a dúvida atuando no progresso, do que morrer na certeza do retrocesso.

Seminarista Cappucci

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Caminhos


Amor começa numa esquina dobrada,
Em noite com lua embriagada.
Amor termina no triste olhar,
No coração que outrora amava.

Amor começa no doce sorriso,
No olhar desconfiado.
Amor termina na certeza,
Que a dúvida um dia construiu.

Amor começa na triste guerra,
Diante do massacre sem fim.
Amor termina na paz entediante,
Exaurindo a calmaria tenebrosa.

Amor começa...
Amor termina...
Derradeiro caminho,
Esdrúxulo fim ! 



*Escrito para a aula de gramática, sendo que este serviu apenas para a apresentação.


Seminarista Capucci

Equívocos 

Julgam pela cor,
Julgam pelo saber,
Julgam pela aparência, 
Mas não enxergam nada!


Enxergar o que não se quer ver,
Falar sobre o que não pode ser visto,
Pensar sobre o que não se pode dizer,
Afinal, quem vai saber?


Mergulhar na obscuridade,
Na dúvida do correto,
Talvez para corrigir,
O que há muito se sufocou!

Liberdade! Liberdade!
Pensamento sem cadeias,
Estamos a caminhar...
Certamente irá demorar !

Seminarista Cappucci

Etiquetas


Colando identificações,
Como fazemos com o gado.
O homem merece isso ?
Quem sabe? Talvez não!

Você é branco!
Inteligente, educado!
Bonito, engraçado!
Será mesmo ?

Você é negro!
Burro, retardado!
Feio, desgraçado!
Será mesmo?

Amarelo, vermelho?
O sangue é o mesmo!
Os ossos, quem sabe ?
Maldito preconceito!


Seminarista Cappucci

Férias


  As férias chegaram, os horários evaporaram e o tédio se instaurou. Saí do seminário, por um tempo pré-determinado e a determinação se fixou. Terminar o discurso, digitar os textos, e ainda me divertir um pouco. Cada dia é uma aventura, reviver os anos passados se tornou doce, visitar familiares, passear por antigos recantos e até mesmo reencontrar velhos amigos. Partilhar novos e velhos hábitos, como o chimarrão que a pouco tempo faz parte da minha rotina, ou então uma boa pizza, fatores que compõem minha rotina, e moldam minha personalidade. Assistir novamente documentários no "The History Channel ", ler jornais de São Paulo, conversar com a família, antigos e atuais, fatores ausentes no seminário.
  A cada momento que passa me lembro das manhãs frias, das aulas, do trabalho, e até mesmo da comida. Mas fico feliz de estar novamente em casa, afinal só se da o valor quando se está longe, ou talvez não. A certeza de que nada será como antes, de que cada momento é único me faz ter vontade de aproveitar cada momento, como se fosse o último e mais importante da minha vida. A despedida dos irmãos, inclusive dos que jamais retornarão, o último almoço antes da viagem, a última piada antes do retorno. Tudo tem um gosto especial, quando se ama, ou se odeia, afinal os extremos que nos movem. A vida é marcada pela dor e alegria, jamais pelo tédio. A emoção de rever os familiares após meses longe do âmbito familiar certamente marcará, a alegria de rever os amigos certamente marcará, a saudades da fraternidade imortalizará os momentos que vivi e que certamente viverei junto dos meus irmãos. 

  
"Tudo tem um gosto especial, quando se ama, ou se odeia, afinal os extremos que nos movem. "




Certamente quando as férias estiverem terminando, quando as malas estiverem prontas, eu estarei pronto para retornar, e recomeçar, afinal um semestre acabou, as férias acabaram, mas ainda virão muitas férias, muitos semestres e muitos momentos, que podem ou não permanecer na minha memória. Espero que quando tudo cair novamente na rotina apareça momentos como esse, o tempo, que melhor do que qualquer outra coisa, atitude, ou conversa é capaz de criar raízes no coração que sempre nos levarão de volta ao ponto de partida, ou melhor, os pontos.


Seminarista Cappucci

quinta-feira, 5 de julho de 2012





O que é a vocação na minha vida ?




"Entre suspiros, e sorrisos começo a entender a vocação. Surgiu na feliz brincadeira de criança, nos primeiros sonhos inconstantes, ora soldado, ora escritor...ora padre. Germinou, criou raízes no coração que a muito sonhou, e hoje se fortifica, nasce da terra, como qualquer outra árvore, mas essa é diferente, essa sim. Essa produzirá frutos que moldarão caminhos tortuosos."


  Como entender a vocação em pleno século XXI, onde mudanças outrora centenárias, ocorrem em questão de dias? Antes era simples não havia tantos caminhos, não havia tantas possibilidades, o homem era mais centrado, ou mais cego. Seja o que for, os anos passaram, e tudo mudou, está cada vez mais fácil não entender, e viver caminhando com as pernas alheias e pensar com o alguns poucos cérebros do que voltar o foco para si mesmo e quem sabe entender as mudanças que cabem a cada um, junto com os conflitos e momentos alegres. Está muito mais fácil se prender a modas, e grupos sociais, do que a Deus, está mais fácil olhar para os outros e não pensar em si.
  Entendo a vocação como um tempero, sentimos primeiro o cheiro, se nos parece agradável perguntamos do que se trata, após termos a plena consciência do que é, escolhemos entre provar ou não. Caso se escolha provar começamos a saborear aos poucos, sentindo os nuances do sabor, e quanto mais se prova mais se entende do que se trata, e quem sabe se interessa mais, e começa a comer de verdade, para uma hora ficar satisfeita.
  Quando surgem os primeiros desejos, os primeiros questionamentos e inquietações normalmente buscamos entender o que está se passando, uma vontade de conhecer mais a fundo algo, uma vontade de quem sabe trilhar os caminhos que se encontram com os rastros dos bem-aventurados. Então resolvemos conhecer, ou então, esquecer para sempre o que um dia serviu de motivação.
  Se após o período de discernimento optamos por arriscar, arriscar ser santo, arriscar fazer a diferença, arriscar ser humano partimos para a casa de formação, e então entramos nos moldes da vida religiosa, ai finalmente fecha um ciclo, e abre uma vida. Uma vida de sacrifícios e alegrias, de provas sem gabaritos, algo surpreendente aos olhos alheios, sem sentido para alguns, loucura para outros e sanidade ao extremo para poucos.Certamente essa sanidade exige certos sacrifícios, exige privações, mas como toda aventura, é necessário que haja algo para animar, quem sabe essa aventura não termine na plena realização ?


O que acha de provar esse tempero também?

quarta-feira, 4 de julho de 2012



Lamentável ciclo



O dia renasce levantando-se do túmulo noturno,
Outrora jazia sob as trevas,
Como fênix divina brilha novamente...
Iluminando as paragens mais belas.


Os pássaros cantam no céu,
Crianças choram de fome,
Enquanto burgueses dormem...
Sonhando com sua vida que tudo consome.


A poluição vive a ofuscar,
A beleza recém nascida.
A lei de talhão vigora,
Deixando a humanidade caída e sem vida...


Nas escolas falam do mundo perfeito...
Alienação dos sentidos !
Enquanto pequenos monstrinhos vagam.
Pobres mendigos !


A mãe de todos nós cai em ruínas,
Enquanto opressores de gabam por ajudar,
A  doutrinar a juventude...
Juventude doutrinada a matar !


O sol no horizonte perde suas forças...
Em contraste com a poluição.
Jovens infratores reclinam a cabeça nas calçadas,
Implorando que Deus lhes deem o perdão!


Enquanto...isso - braços cruzados ? 


Seminarista Cappucci


Preço alto


Pilhas de lenha construí,
Desviei de tora.
O machado gritava...
Marcando a história.
O Frei mandava,
E eu concordava!
Não quero contestar,
E cair na cilada!

Uma floresta derrubei,
Os montes desbravei.
Mantendo a comida quentinha...
Hoje e de uma vez.

Pelos séculos saberão,
O que nós construímos.
Aquecemos o fogão,
E a natureza destruímos. 

Seminarista Cappucci

Homenagem aos gaúchos!


A gritos de liberdade,
Caímos exaustos...
Sujando a bombacha,
Marca da saudade.

Do churrasco e chimarrão,
Obras da criação.
Descansando "pena agora"
Cantarolando uma canção

Sou fruto deste chão,
Pela fronteira vivi,
Me Fiz homem.
E sobrevivi...

Cavalgando pelos pampas,
Vivi como meus antepassados,
Saudades do fogão...
Esquentando o peão.

Riscando a adaga,
Caindo a faísca.
Marcas de briga,
Pela linda guria.

Sou gaúcho 
Filho da terra...
Deus me fez homem,
E eu me fiz por tradição!

Seminarista Cappucci


Diabólico x Simbólico


Proposto o simbólico,
Que destroça o individualismo.
União peculiar,
Exalta certo humanismo.

La vem o diabólico...
Cessando relações,
Isolando as mentes, 
Soldando os grilhões!

Quais serão as consequências?

Cada um para um lado:
Todos deitados!
Esse é o assalto da união.
Só nos deixaram parados...

Levaram o amor, 
E nos deixaram rancor.
Levaram a felicidade
E nos deixaram o vazio!

Quais serão as consequências?

Tudo depende...
Depende do medo,
Depende da coragem,
Depende da HUMANIDADE!

Seminarista Cappucci