Oitava da raízes
I
A quem dele se achegar
De mansinho desbravando,
Certamente irá provar
Como é doce estar cantando.
Meu pai é índio,
Minha mãe: portuguesa.
Das tristes veredas
Nasci e me fiz homem.
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
II
Entre gritos e sangue cresci,
Sou jovem quase martirizado.
Por pouco não vi...
Como é a liberdade de quem sorri!
Entre o canto do condor,
E o choro da alegria,
Gemidos marcaram,
A infância confrontada pela dor.
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
III
Dor essa que circunda,
Rodeia o homem forte.
Mestiço dos povos,
Este chamado brasileiro!
Missionários vieram;
Hoje são evangelizados
Por quem um dia intitularam:
“Hereges, filhos do demônio”
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
IV
Acaso o demônio se converteu ?
Tomou a cruz,
E as chagas beijou ?
Povo sofredor!
Na dura colheita
Acham a dor,
Que, cultivada
Culmina no ardor.
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
V
Pela independência lutaram;
Pela ditadura sangraram;
Caíram nos Alpes,
Os soldados mascarados.
Homens simples,
Agricultores sofredores
Plantando progresso,
Ô semente bendita!
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
VI
Talvez nem tanto.
O progresso produz
Fome, dor, sofrimento.
Quem sabe: amadurecimento!
Preservando as raízes
Dos antigos guerreiros:
Homens fortes
Que por nós morreram!
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
VII
Mártires sagrados !
Sobre seu sangue
Deveríamos prostrar-nos
E receber a benção de Tupã...
Nossa pátria Brasil.
Não Sul, Sudeste, Nordeste.
As outras regiões, quem sabe ?
Todos filhos da terra!
Sou brasileiro, ou, acaso não ?
VIII
Somos oriundos dos bosques,
Das pampas, do sertão.
E gritamos a uma só voz:
“Somos irmãos!”
Sou brasileiro, ou, talvez não?
A certeza caiu neste chão.
Seminarista Cappucci
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