quarta-feira, 4 de julho de 2012


Oitava da raízes


I
A quem dele se achegar  
De mansinho desbravando,
Certamente irá provar
Como é doce estar cantando.

Meu pai é índio,
Minha mãe: portuguesa.
Das tristes veredas
Nasci e me fiz homem.

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

II
Entre gritos e sangue cresci,
Sou jovem quase martirizado.
Por pouco não vi...
Como é a liberdade de quem sorri!

Entre o canto do condor,
E o choro da alegria,
Gemidos marcaram,
A infância confrontada pela dor.

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

III
Dor essa que circunda, 
Rodeia o homem forte.
Mestiço dos povos,
Este chamado brasileiro!

Missionários vieram;
Hoje são evangelizados
Por quem um dia intitularam:
“Hereges, filhos do demônio”

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

IV
Acaso o demônio se converteu ?
Tomou a cruz,
E as chagas beijou ?
Povo sofredor!

Na dura colheita
Acham a dor,
Que, cultivada
Culmina no ardor.

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

V
Pela independência lutaram;
Pela ditadura sangraram;
Caíram nos Alpes,
Os soldados mascarados.

Homens simples,
Agricultores sofredores
Plantando progresso,
Ô semente bendita!

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

VI
Talvez nem tanto.
O progresso produz
Fome, dor, sofrimento.
Quem sabe: amadurecimento!

Preservando as raízes
Dos antigos guerreiros:
Homens fortes
Que por nós morreram!

Sou brasileiro, ou, acaso não ?


VII
Mártires sagrados !
Sobre seu sangue
Deveríamos prostrar-nos 
E receber a benção de Tupã...


Nossa pátria Brasil. 
Não Sul, Sudeste, Nordeste.
As outras regiões, quem sabe ?
Todos filhos da terra!

Sou brasileiro, ou, acaso não ?

VIII
Somos oriundos dos bosques,
Das pampas, do sertão.
E gritamos a uma só voz:
“Somos irmãos!”


Sou brasileiro, ou, talvez não?
A certeza caiu neste chão.

                                                                                                       
Seminarista Cappucci

Nenhum comentário:

Postar um comentário